Senti o pecado percorrer-me nas veias. O sangue fervilhou. A energia vital diminuiu. As pulsações baixaram... Sabia que aquilo não era o correcto e a minha pureza acabava agora de ser destruída.
Uma mistura de prazer e dor. Algo novo, inovador.
Na mente pudica dos sábios, eu não passava de mais uma. Na mente aberta dos mestres, eu era simplesmente a primeira.
Ao início tudo era banal, não havia nada que não o igualasse.
Passaram-se os anos, os meses, os poucos dias e os restantes minutos e segundos que faltavam, e ele morreu. Aquilo que nos unia morreu. Morreu para sempre.
Afinal de contas, os Sábios estavam certos.
Tropecei na água do mar, nas rochas da praia, nas dunas da areia e acabei enrolada ali, naquele sítio, com aquele cretino que já uma vez me deixara ansiosa por mais.
Nunca julguei poder vir a apaixonar-me desta maneira por algo tão irreal. Algo que nem sequer conhece a sua própria existência. É substancial. Banal.
Caíra agora nos becos lamacentos da minha vida que mais parecera uma novela mexicana.
Os olhares trocados no início do fim, foram os que marcaram a solidão da minha noite.
As lágrimas escorriam-me pelo rosto fora, o sentimento de culpa invadia o meu corpo. Já não sabia com o que contar exactamente. A fronha de flanela que envolvia o algodão em que me deitara estava agora encharcada da mais pura água do reino dos sonhos.
A minha essência tinha sido derrubada. Já nada poderia fazer quanto a isso. Era um facto consumado. Uma tatuagem sobre a vida.
Parecia ser tudo belo e bonito.
O sol continuava a brilhar da mesma maneira. A lua continuava com as mesmas formas. As estrelas permaneceram constantes mesmo que diferentes. O odor do seu corpo continuava o mesmo. O tom da minha voz nada mudara.
A ciência estudou a nossa química e o resultado foi desastroso. Uma combustão se criara agora.
Juramentos de fealdade foram feitos antes do início do fim.
A música tinha a mesma batida de sempre, tudo parecia monótono como sempre me pareceu.
Nada mudara mesmo que a minha pureza já impura viesse à tona. De facto.
Sempre tive vontade de caminhar em pés sujos sobre a areia da praia, mas não desta maneira...
O sangue escorrera agora por fora de mim, a visão entorpecida rapidamente se recompôs. A realidade era agora a verdade perfeita do momento.
No fundo o pecado já fora cometido, já nada havia a lamentar. O erro estava feito. Não havia nada que o apagasse. Era um facto consumado.
Estava tudo acabado, a minha essência já não era a caramelo e chocolate mas sim a pecado e culpa.
A água salgada que banhava os nossos olhos mudara de cor. O meu corpo já frio dentro do lago do mar continuava nu.
Jamais sonharia que isto acontecesse. Ou pelo menos não desta forma.
A única recordação que guardo da minha essência é o pensamento imaturo de que a realidade é banal. As marcas do sangue já impuro que até hoje me consome permanecem intactas como o anel que o rei escondera por baixo das calças.
Cindy <3, Beijos
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